Protocolo de AVC

Centro de Atendimento de Urgência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) – no Hospital Baía Sul

A doença cerebrovascular atinge 16 milhões de pessoas ao redor do globo a cada ano e, dessas, seis milhões morrem. No Brasil, são registrados cerca de 68 mil óbitos por AVC anualmente. A doença representa a primeira causa de morte e incapacidade no país, o que gera grande impacto econômico e social.

As consequências físicas e emocionais de um acidente vascular cerebral, tanto para o paciente quanto para seus familiares, geralmente são devastadoras. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a adoção de medidas urgentes para a prevenção e tratamento da doença. Com isso em mente, um centro de atendimento de urgência de AVC está sendo implantado no Complexo de Saúde Baía Sul, reunindo o Hospital Baía Sul, a Clínica Imagem e a Clínica Coris, que se uniram para diagnosticar e tratar a doença, trabalhando para reduzir ao máximo as suas sequelas.

Segundo o neurocirurgião Jorge Moritz, a palavra chave nos casos de AVC isquêmico – quando o entupimento do vaso sanguíneo deixa de enviar sangue ao cérebro – e AVC hemorrágico – caracterizado pelo sangramento em uma parte do cérebro causado por uma ruptura de vaso sanguíneo cerebral – é celeridade. “Quanto mais rápido for o atendimento do paciente com suspeita de AVC, menor será a possibilidade de danos e sequelas permanentes”, destaca.

Pelo menos oito médicos estão envolvidos no processo, desde a chegada ao Pronto Atendimento do Hospital Baía Sul até o encaminhamento à Clínica Imagem para realização de ressonância magnética e internação na UTI, onde já há garantia de vaga. Da chegada até o diagnóstico por imagem o tempo não excede 30 minutos, com previsão de reduzir ainda mais esse prazo. “Até os funcionários da guarita de entrada do Complexo estão informados e agilizam a chegada do paciente ao atendimento de urgência”, explica Moritz.  Segundo a médica responsável pelo PA, Renata da Silva Bolan, os recepcionistas também estão orientados a dar prioridade ao atendimento de pessoas com suspeita de AVC.

Tratamento – O imediato início do tratamento vai desde a trombólise, que é a medicação injetada na veia para dissolver os coágulos, até a trombectomia mecânica, indicada para o paciente com AVC que não foi revertido com medicamento. “O procedimento constitui-se em um cateterismo pela artéria femural (virilha) que segue dentro do vaso até as artérias intracranianas para remover os coágulos que provocam o AVC, restaurando o fluxo sanguíneo”, explica Wuilker Knoner Campos, um dos neurocirurgiões responsáveis pelo procedimento. Para que o tratamento tenha mais chances de ser bem sucedido, o tempo é crucial: o medicamento precisa ser ministrado em até 4,5 horas desde os primeiros sintomas e a trombectomia feita até pouco mais de 7 horas, sob a pena de aumentar o risco de sequelas da doença.

Logística – “É importantíssimo enfatizar que neurônio não regenera”, ressalta Campos. Por isso, para que todo o processo seja realmente muito célere, as pessoas que chegam ao hospital são classificadas pela equipe do Pronto Atendimento (PA), que consegue identificar rapidamente se a pessoa está tendo um AVC e acionar as equipes das demais especialidades, tudo isso numa logística bem azeitada que está permanentemente sendo estudada para ter o tempo reduzido ainda mais.

Tempo é cérebro – Segundo o médico radiologista da Clínica Imagem, Bruno Siqueira Campos Lopes, além de um plantão 24 horas para atendimento imediato, há um grupo multidisciplinar de aproximadamente 55 pessoas envolvidas. “Tempo é cérebro e perda de cérebro significa sequela. Por isso é tão importante detectar os sinais e procurar imediatamente ajuda médica”, explica Bruno.

Danos permanentes – “O ACV tira o indivíduo da sociedade”, lembra a médica intensivista Jaqueline Flores Rohr, responsável pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Baía Sul, que vê chegar pacientes com a doença com assustadora regularidade. “Uma artéria obstruída é um cérebro sofrendo, por isso a urgência em identificar e tratar”, enfatiza. O neurologista e intensivista Robson Lima Ribeiro salienta que a gravidade do quadro exige internação e monitoramento intensivo. “Mesmo estável, o paciente que precisar ser medicado ou realizar o procedimento via cateterismo precisa de um período da UTI para ser monitorado 24 horas”, explica. Robson é coordenador da equipe de AVC, que reúne médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionista e nutrólogo.

Fatores de Risco – Principal causa de morte no Brasil e segunda no mundo, o AVC acomete uma em cada seis pessoas ao longo da vida. Hipertensos, diabéticos, tabagistas, consumidores de bebida alcoólica, sedentários e obesos estão entre as pessoas propensas ao desenvolvimento da doença.

Sempre alerta – É importante salientar que a maior parte das mortes súbitas no país é causada pelo AVC, que é mais grave e tem muito mais sequelas do que um incidente cardíaco. “Precisamos lembrar que os neurônios perdidos em um AVC não se regeneram, ao contrário de outras células do nosso corpo,” explica o neurocirurgião Willian Costa Baía Júnior. Ele lembrar que, ao contrário do coração, “não existe transplante de cérebro; o número de neurônios com os quais nascemos é fixo, por isso é tão importante não ignorar os sinais que o corpo nos manda”, explica ele. “O crescimento da expectativa de vida, a falta de atividade física, má alimentação e hábitos como o consumo de fumo e álcool têm aumentados os índices da doença”, afirma Baía.

Sintomas – Para ajudar a combater os danos causados pelo AVC é importante que pacientes e familiares estejam cientes dos sintomas e procurem ajuda médica com urgência (vide quadro Sintomas do AVC).

Sintomas de AVC

  1. Súbita fraqueza assimétrica dos membros: geralmente a falta de força acomete um braço, uma perna ou um braço e uma perna em apenas um lado do corpo. A paralisia, ou uma quase paralisia, são facilmente identificáveis pelo paciente e seus familiares. A dificuldade surge quando a perda de força é discreta. Neste caso, um teste simples pode ser feito. Levante os braços e mantenha-os por alguns segundos alinhados aos ombros (posição de múmia ou sonâmbulo). Se um dos braços começar a cair involuntariamente há um forte indício de fraqueza motora. O mesmo teste pode ser feito com as pernas, basta sentar-se e levantar as pernas, deixando os joelhos esticados.
  2. Súbito formigamento:  notada em um dos lados do corpo, ou mais na face, no braço, ou na perna, pode  indicar um AVC em instalação.
  3. Assimetria facial: o desvio da boca em direção contrária ao lado paralisado é o sinal mais comum e perceptível. No AVC, a paralisia costuma preservar a metade superior da face, sendo o paciente capaz de franzir a testa e levantar as sobrancelhas. Em alguns casos, a paralisia facial é mais discreta e pode passar despercebida pelos familiares. Uma dica para ver se a boca está desviada é pedir para o paciente sorrir ou assobiar. Se houver paralisia, esta será facilmente notada com essas manobras.
  4. Alterações da fala ou na compreensão da fala: a afasia é a incapacidade do paciente em nomear objetos e coisas, ou de compreender o que está sendo falado. O paciente não consegue falar normalmente pois não consegue dizer nomes simples como cores, números e objetos. Em alguns casos o paciente nem sequer é capaz de repetir uma palavra dita por um familiar. Dependendo da afasia, o paciente pode conseguir pensar no objeto, entender seu significado, mas simplesmente não saber como dizer o seu nome. É uma perda da linguagem verbal.
  5. Confusão mental: uma alteração do discurso também pode ocorrer por desorientação e confusão mental. O paciente pode perder a noção do tempo, não sabendo dizer o ano nem o mês que estamos. Pode também ficar desorientado espacialmente, não reconhecendo o local onde está. Estas alterações são comuns em pequenos AVCs em idosos.
  6. Alterações na marcha, tonturas: o paciente com AVC pode ter dificuldade em andar. Esta alteração da marcha pode ser causada por desequilíbrios, por diminuição da força em uma das pernas ou mesmo por alterações na coordenação motora responsáveis pelo ato de andar. Neste último caso o paciente mantém a força preservada nos membros inferiores, porém anda de modo descoordenado; tem dificuldade em dar passos.
  7. Dor de cabeça forte e súbita:  por vezes relatada como a “pior dor de cabeça já sentida”.

 

AVC

O centro especializado de atendimento ao AVC do Hospital Baía Sul e da Clínica Imagem foi pauta de reportagem veiculada pela TVAL, a televisão legislativa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Confira abaixo!

Publicado por Hospital Baía Sul em Segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

 

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